Categoria: Goetia

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Introdução

A Goetia - o primeiro livro do Lemegeton Clavicula Salomonis, o Pequeno Rei Salomão - é provavelmente o grimório mais influente da história do ocultismo ocidental. Sua lista de 72 daemons, com seus selos, hierarquias e funções, tornou-se o mapa de referência para gerações de praticantes de magia cerimonial em todo o mundo.

Mas a Goetia é frequentemente mal compreendida - reduzida a uma "lista de demônios" por quem a observa de fora, ou tratada como um catálogo de entidades a serem convocadas à la carte por praticantes sem profundidade de estudo. Nenhuma das duas leituras faz jus ao que o texto realmente é: um sistema operativo sofisticado, com uma hierarquia interna precisa, uma teoria implícita sobre a natureza das forças que mapeia, e uma tradição de uso ritual que precede em muito a versão que conhecemos hoje.

Este artigo examina os 72 daemons da Goetia como sistema - sua hierarquia, sua lógica interna de classificação, o que os títulos revelam sobre a natureza de cada entidade, e como essa estrutura informa o trabalho operativo do praticante.


1. O que é a Goetia - contexto histórico e textual

O Lemegeton Clavicula Salomonis é uma compilação de cinco livros de magia que circulou em manuscrito na Europa nos séculos XVII e XVIII antes de ser publicada pela primeira vez por S.L. MacGregor Mathers em 1904. O primeiro e mais conhecido dos cinco livros é a Ars Goetia - que contém a lista dos 72 daemons com seus selos, hierarquias, funções e instruções de evocação.

O título Goetia deriva do grego goeteia - a arte de encantar, conjurar, trabalhar com forças ctônicas. Na antigüidade clássica, a distinção entre magia (magia persa, nobre) e goeteia (magia ctônica, de baixo status) era fundamental. Essa distinção foi gradualmente absorvida pela tradição judaico-cristã, que recodificou a goetia como magia demoníaca por oposição à teurgia angelical.

A lista dos 72 daemons tem raízes em múltiplas tradições. Alguns pesquisadores identificam conexões com o Livre des Esperitz francês do século XV; outros apontam semelhanças com textos de magia islâmica que listam djins em hierarquias comparáveis. O número 72 não é aleatório: corresponde a 72 nomes de Deus na tradição cabalística (os Shemhamforash), sugerendo que os 72 daemons foram concebidos como contrapartidas ou sombras dos 72 anjos divinos.


2. A hierarquia dos 72 daemons - títulos e sua significação

Os 72 daemons da Goetia não são uma lista plana de entidades equivalentes - são uma hierarquia estruturada, organizada segundo títulos que derivam diretamente da nobreza feudal europeia. Compreender o que cada título implica é essencial para compreender com qual tipo de força o operador está trabalhando.

Reis - 9 entidades

Os Reis da Goetia são as entidades de maior hierarquia no sistema. São eles: Bael, Paimon, Belial, Asmodai (Asmodeus), Vine, Balam, Zagan, Beleth e Purson.

Os Reis governam os pontos cardeais e intermediários da rosa dos ventos - Bael governa o leste, Paimon o oeste, Belial o sul, Asmodai o sul também (as orientações variam conforme a versão do texto). Cada Rei comanda um número imenso de legiões - Paimon governa 200 legiões, Bael 66, Beleth 85.

Na lógica operativa da Goetia, os Reis exigem tratamento especial: protocolos de convocação mais elaborados, maior rigor nos preparativos, e frequentemente a intermediação de outros daemons menores para a primeira abordagem. Paimon em particular exige ser chamado com música e com o rosto voltado para o noroeste - e deve receber dois espíritos menores, Labal e Abalim, como companhia durante a manifestação.

Duques - 24 entidades

Os Duques formam o grupo mais numeroso dos títulos superiores. São entidades de grande poder, com função operativa bem definida e relação relativamente mais direta com o operador do que os Reis.

Duques notáveis incluem: Agares (2º - governança de idiomas e terras), Valefar (6º - ladrões e lealdade), Barbatos (8º - comunicação com animais e revelação de tesouros), Eligos (15º - revelação de guerras e assuntos futuros), Zepar (16º - amor e transformação feminina), Bune/Bime (26º - riqueza e eloquência), Sallos (19º - amor), Dantalion (71º - pensamentos e ciências).

Os Duques são as entidades mais frequentemente invocadas na prática goética contemporânea - sua função é específica e operativamente acessível, e seu protocolo de convocação, embora formal, é menos exigente do que o dos Reis.

Príncipes e Presidentes - funções distintas

Os Príncipes (como Sitri, 12º; Ipos, 22º; Orobas, 55º) tendem a ter funções relacionadas ao conhecimento e à revelação. Sitri revela segredos e desperta amor; Ipos revela o passado e o futuro e confere coragem; Orobas revela as coisas divinas e protege o mago contra tentações espirituais.

Os Presidentes (como Marbas, 5º; Glasya-Labolas, 25º; Haagenti, 48º) tendem a ter funções mais práticas e imediatas - medicina, mecânica, transformação física. Marbas revela coisas ocultas, causa e cura doenças; Haagenti confere sabedoria e transforma substâncias (a função alquímica clássica).

Marquises, Condes e Cavaleiros

Os Marquises (como Samigina, 4º; Amon, 7º; Leraje, 14º) têm frequentemente caráter mais ambíguo - poderosos mas menos previsíveis. Amon revela o passado e o futuro e pode reconciliar inimigos; Leraje causa batalhas e faz as flechas podrecerem nas feridas.

Os Condes e Cavaleiros tendem a operar em domínios mais específicos e circunscritos - Raum (40º, Conde) rouba tesouros de reis e destrói cidades; Furcas (50º, Cavaleiro) ensina filosofia, astronomia e astrologia.


3. Correspondências planetárias dos 72 daemons

Um aspecto da Goetia frequentemente negligenciado pelos praticantes iniciantes é que cada daemon tem correspondências planetárias implícitas - determinadas por sua natureza, suas funções e os textos complementares da tradição solomônica, especialmente o trabalho de Thomas Rudd que associa cada daemon a um anjo do sistema dos Shemhamforash.

Essas correspondências não estão explicitadas no texto da Goetia original, mas são recuperáveis através do estudo comparativo:

Correspondência solar: Daemons que conferem glória, sucesso, visibilidade pública - como Purson (20º), que revela coisas ocultas e confere boa familiaridade com pessoas de poder.

Correspondência lunar: Daemons que trabalham com visão, sonhos, revelação de segredos - como Gaap (33º), que pode tornar os homens insensíveis e ensinado sobre filosofia e ciências liberais.

Correspondência marciana: Daemons de conflito, força física, domínio sobre adversários - como Amon (7º), que causa guerras e reconcilia inimigos, e Leraje (14º), que incita batalhas.

Correspondência venusiana: Daemons de amor, sedução e relações humanas - como Sitri (12º), Zepar (16º), Sallos (19º), Dantalion (71º).

Correspondência mercurial: Daemons de conhecimento, comunicação, linguagem - como Agares (2º, que ensina idiomas), Barbatos (8º, que entende a linguagem dos animais), Dantalion (71º, que revela os pensamentos alheios).

Correspondência saturnina: Daemons que trabalham com os mortos, com o tempo e com revelações de coisas antigas - como Murmur (54º), que ensina filosofia e pode constranger as almas dos mortos a aparecerem.

Correspondência jupiteriana: Daemons que conferem riqueza, honra e proteção - como Bune (26º), que confere riqueza e eloquência, e Orobas (55º), que confere dignidades e prelazias.


4. Os 72 daemons - lista completa com funções principais

A seguir, a lista completa dos 72 daemons com seus títulos e domínios operativos principais. Esta lista é uma referência de trabalho - para operações específicas, o texto integral da Goetia deve ser consultado.

01 - Bael (Rei) - invisibilidade, astúcia, domínio sobre 66 legiões 02 - Agares (Duque) - idiomas, terras, terremotos, retorno de fugitivos 03 - Vassago (Príncipe) - revelação do passado e futuro, localização de coisas perdidas 04 - Samigina (Marquês) - artes liberais, comunicação com os mortos 05 - Marbas (Presidente) - curas, doenças, mecânica, transformação 06 - Valefar (Duque) - ladrões, tentação, lealdade entre criminosos 07 - Amon (Marquês) - passado e futuro, reconciliação de inimigos, amor 08 - Barbatos (Duque) - linguagem animal, revelação de tesouros, astronomia 09 - Paimon (Rei) - todas as artes e ciências, segredos, vento e água, 200 legiões 10 - Buer (Presidente) - filosofia, lógica, ervas medicinais, curas 11 - Gusion (Duque) - honras, dignidade, reconciliação, revelação 12 - Sitri (Príncipe) - amor, luxúria, revelação de segredos de mulheres 13 - Beleth (Rei) - amor entre homens e mulheres, 85 legiões 14 - Leraje (Marquês) - batalhas, podridão de ferimentos por flechas 15 - Eligos (Duque) - guerras ocultas, cavaleiros, amor de lordes 16 - Zepar (Duque) - amor feminino, esterilidade, transformação de formas 17 - Botis (Presidente e Conde) - passado e futuro, reconciliação 18 - Bathin (Duque) - ervas, pedras preciosas, transporte rápido 19 - Sallos (Duque) - amor entre homens e mulheres 20 - Purson (Rei) - tesouros ocultos, passado e futuro, espíritos familiares 21 - Morax (Conde e Presidente) - astronomia, artes liberais, ervas, pedras 22 - Ipos (Príncipe e Conde) - passado e futuro, coragem, astúcia 23 - Aim (Duque) - astúcia, incêndios, respostas a questões 24 - Naberius (Marquês) - artes e ciências, retorno de favores perdidos 25 - Glasya-Labolas (Presidente) - artes e ciências, derramamento de sangue, invisibilidade 26 - Bune/Bime (Duque) - riqueza, eloquência, mortos, 30 legiões 27 - Ronove (Marquês e Conde) - retórica, idiomas, favores de amigos e inimigos 28 - Berith (Duque) - passado e futuro, transformação de metais em ouro 29 - Astaroth (Duque) - ciências ocultas, preguiça, passado e futuro 30 - Forneus (Marquês e Conde) - retórica, idiomas, amor, boa reputação 31 - Foras (Presidente) - ervas, pedras preciosas, lógica, ética, invisibilidade 32 - Asmodai/Asmodeus (Rei) - astronomia, aritmética, geomancia, tesouros, 72 legiões 33 - Gaap (Príncipe e Presidente) - filosofia, ciências liberais, insensibilidade, transporte 34 - Furfur (Conde) - amor, trovões e relâmpagos, respostas verdadeiras 35 - Marchosias (Marquês) - força em batalha, respostas verdadeiras 36 - Stolas (Príncipe) - astronomia, ervas e pedras preciosas 37 - Phenex (Marquês) - poesia, ciências, esperança 38 - Halphas (Conde) - construção de torres, provisão de armas, guerra 39 - Malphas (Presidente) - construção de altas torres e casas, destruição dos desejos inimigos 40 - Raum (Conde) - roubo de tesouros reais, destruição de cidades, amor 41 - Focalor (Duque) - morte por afogamento, domínio sobre ventos e mares 42 - Vepar (Duque) - mares e navios, doenças por feridas 43 - Sabnock (Marquês) - construção de fortalezas, feridas por vermes 44 - Shax (Marquês) - roubo de cavalos e coisas de reis, distúrbios dos sentidos 45 - Vine (Rei e Conde) - feiticeiros, coisas ocultas, construção de torres, tempestades 46 - Bifrons (Conde) - astronomia, geometria, artes e ciências, mortos 47 - Uvall/Vual (Duque) - amor feminino, amizade, passado e futuro, idioma egípcio 48 - Haagenti (Presidente) - sabedoria, transformação de metais e água em vinho 49 - Crocell (Duque) - geometria, artes liberais, barulho de águas 50 - Furcas (Cavaleiro) - filosofia, astronomia, astrologia, retórica, magia, quiromancia 51 - Balam (Rei) - invisibilidade, astúcia, passado e futuro 52 - Alloces (Duque) - astronomia, artes liberais, espíritos familiares 53 - Camio (Presidente) - linguagem dos animais, passado e futuro 54 - Murmur (Duque e Conde) - filosofia, almas dos mortos 55 - Orobas (Príncipe) - passado e futuro, dignidades, divindade, proteção contra tentações 56 - Gremory (Duque) - passado e futuro, amor feminino, tesouros ocultos 57 - Ose (Presidente) - ciências liberais, transformação de formas, loucura 58 - Amy (Presidente) - astrologia, artes liberais, espíritos familiares, tesouros 59 - Oriax (Marquês) - astrologia, virtudes das estrelas, transformação 60 - Vapula (Duque) - filosofia, mecânica, ciências 61 - Zagan (Rei e Presidente) - astúcia, transformação de metais e sangue em vinho 62 - Valac (Presidente) - localização de serpentes, tesouros ocultos 63 - Andras (Marquês) - semeador de discórdias, morte 64 - Haures/Flauros (Duque) - passado e futuro, destruição de inimigos, proteção 65 - Andrealphus (Marquês) - geometria, mensuração, transformação em pássaro 66 - Cimejes/Kimaris (Marquês) - gramática, lógica, retórica, localização de coisas perdidas 67 - Amdusias (Duque) - músicos, instrumentos, árvores que se curvam 68 - Belial (Rei) - senadores, amigos e inimigos, espíritos familiares, 80 legiões 69 - Decarabia (Marquês) - pássaros, ervas, pedras preciosas 70 - Seere (Príncipe) - transporte rápido, localização de tesouros, revelação de roubos 71 - Dantalion (Duque) - todas as artes e ciências, pensamentos alheios, 36 legiões 72 - Andromalius (Conde) - retorno de ladrões, localização de roubos, punição de maldade


5. Como usar a hierarquia no trabalho operativo

A hierarquia da Goetia não é apenas taxonomia acadêmica - ela tem implicações práticas diretas para o trabalho ritual.

Escolha da entidade por função

O primeiro princípio do trabalho goético é a correspondência entre o objetivo da operação e a função específica da entidade. Não se convoca qualquer daemon disponível para qualquer propósito: convoca-se a entidade cujas competências específicas - conforme descritas no texto da Goetia - correspondem ao objetivo da operação.

Para operações de prosperidade e eloquência: Bune (26º) é a escolha mais direta. Para operações de amor: Sitri (12º), Sallos (19º) ou Dantalion (71º), dependendo da natureza específica do trabalho. Para revelação de coisas ocultas: Vassago (3º) ou Purson (20º). Para proteção em conflito: Andrealphus (65º) ou Haures (64º).

Respeito à hierarquia no protocolo

Daemons de hierarquia superior - especialmente os Reis - exigem protocolos de abordagem mais elaborados. Praticantes iniciantes são frequentemente aconselhados a começar com Duques e Presidentes, cuja natureza é mais diretamente acessível, antes de trabalhar com os Reis.

Isso não é medo - é precisão operativa. Um operador que ainda está desenvolvendo sua habilidade de manter a autoridade ritual durante uma evocação intensa tem mais chances de sucesso com uma entidade cujo protocolo é mais direto.

O sistema de Rudd - daemon e anjo

Thomas Rudd, matemático e mago inglês do século XVII, desenvolveu uma abordagem única para a Goetia: cada um dos 72 daemons tem um anjo correspondente do sistema dos Shemhamforash - o anjo que governa e contrabalança o daemon. No sistema de Rudd, o operador trabalha com ambos simultaneamente: o daemon como força a ser direcionada, o anjo como autoridade que a mantém dentro dos limites da operação.

Esse sistema duplo está preservado nos lamens produzidos pela A Papisa baseados no sistema de Rudd - cada lamen traz o daemon na frente e o anjo correspondente no verso, criando um instrumento de dupla face que encapsula a totalidade da operação ruddiana.


6. Erros mais comuns no trabalho com os 72 daemons

Convocação sem preparação adequada. A Goetia é explícita: o operador deve estar purificado, o espaço deve estar preparado com o Círculo de Salomão e o Triângulo de Arte, e todos os instrumentos necessários devem estar presentes antes de começar qualquer evocação.

Escolha de entidade por popularidade, não por função. Belial, Lucifer e Asmodeus são frequentemente convocados por iniciantes simplesmente porque são os nomes mais conhecidos - não porque são as entidades mais adequadas para o objetivo em questão. Escolha pela função, não pela fama.

Medo durante a operação. O medo durante uma evocação goética é a principal causa de colapso do ritual. Os daemons da Goetia respondem à autoridade - não à súplica nem ao terror. Um operador que entra no ritual com medo está comprometendo desde o início a qualidade da operação.

Ignorar as instruções específicas de cada daemon. Cada entrada da Goetia contém detalhes operativos que muitos praticantes ignoram - a orientação cardeal em que a entidade deve ser chamada, os companheiros que algumas entidades trazem, os dons específicos que podem ser pedidos. Esses detalhes não são decorativos.

Trabalhar sem o sigilo correto. O sigilo de cada daemon é seu ponto de ancoragem na operação. Usar uma reprodução imprecisa do sigilo - com proporções alteradas ou traçado incorreto - compromete o ponto de contato entre o operador e a entidade.


Conclusão

Os 72 daemons da Goetia são um dos mapas mais ricos e mais complexos que a tradição cerimonial ocidental produziu. Estudá-los como sistema - compreender sua hierarquia, suas correspondências, a lógica interna de sua organização - é um trabalho que recompensa com profundidade o operador que o empreende com seriedade.

A Goetia não é um catálogo de serviços disponíveis. É um sistema de relações com forças que têm sua própria natureza, suas próprias exigências e sua própria dignidade. Tratá-las com precisão e respeito - usando os instrumentos corretos, os protocolos corretos e o estado interior correto - é a diferença entre magia goética real e teatro ritual.


Referências para aprofundamento

  • S.L. MacGregor Mathers & Aleister Crowley (eds.), The Goetia: The Lesser Key of Solomon (1904) - texto fundacional com selos e instruções
  • Joseph H. Peterson (ed.), The Lesser Key of Solomon (2001) - edição crítica com variantes manuscritas
  • Jake Stratton-Kent, The True Grimoire (2009) - análise da tradição goética e suas raízes
  • Jake Stratton-Kent, Geosophia (2010) - contexto histórico da goetia desde a Grécia clássica
  • Stephen Skinner & David Rankine, The Goetia of Dr. Rudd (2007) - sistema daemon-anjo de Thomas Rudd
  • Rufus Opus, Seven Spheres (2014) - integração da hierarquia goética com o trabalho planetário
  • Michael W. Ford, Goetia Luciferi (2016) - abordagem luciferiana ao sistema dos 72 daemons

 

Este artigo faz parte da série sobre Goetia do blog da A Papisa. Para explorar os sigilos e lamens dos 72 daemons - incluindo o sistema completo de Thomas Rudd com daemon e anjo - visite nossa loja em apapisa.com.br